As crianças voltam à escola!

Entre a ″festa″ e a ″ansiedade″. 650 mil crianças estão de volta à escola

As crianças voltam à escola!

As crianças das creches, pré-escolar e 1.º ciclo são as primeiras a regressar ao ensino presencial

© Carlos Manuel Martins/Global Imagens

Ainda mal tinha terminado o anúncio do primeiro-ministro, António Costa, sobre o regresso do ensino presencial, na passada quinta-feira, já diretores de estabelecimentos escolares e professores estavam a organizar o trabalho e a traçar planos para a reabertura. Entre creches, pré-escolar e 1.º ciclo, cerca de 650 mil crianças voltam esta segunda-feira à escola, num ambiente que se adivinha quase de festa, não fossem as máscaras para relembrar que a pandemia ainda não terminou.

Escolas públicas e privadas viram os professores a entrar pelos portões dos estabelecimentos, na passada sexta-feira, para decorar ou dar «outra cara» às salas de aula e arrancar sorrisos às crianças.

Na sexta, no Colégio Efanor, no Agrupamento de Escolas Cego do Maio ou no Colégio Júlio Dinis, entre outros estabelecimentos, as educadoras estavam num ambiente de festa, felizes por terem os alunos de volta e a organizar o regresso ao pormenor.

As palavras de ordem são «socializar, trocar afetos e brincar», não esquecendo a consolidação das aprendizagens.

Macrina Fernandes, educadora do pré-escolar, fez um levantamento das atividades que os seus alunos, de cinco anos, mais tinham saudades de fazer, e pretende atender a todos. «Nas aulas online fui perguntando a cada um do que mais tinham saudades.

Pediram festa, música, atividades com plasticina e brincar ao ar livre, entre muitas outras coisas.

Também tentei saber quais eram os amigos com quem mais queriam brincar porque, nessa idade, têm muitas expectativas e estão à espera de poder brincar com os amigos mais próximos e ficam tristes se não acontecer», conta ao DN.

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Para além da lista de «sonhos» das crianças, a educadora vai priorizar as atividades ao ar livre e «estar no exterior com liberdade». «Vamos fazer jogos de equipas, atividades com toque porque estão com saudades dos afetos.

É possível cumprir as normas de segurança e dar lugar ao toque como, por exemplo, escrever nas costas de um amigo» explica.

Macrina Fernandes acredita que «a questão emocional, o saber estar e saber ser, é o mais importante nesta fase».

«O esperar pela sua vez para falar, por exemplo, torna-se mais difícil por causa da ansiedade. São competências importantes. Sabemos que cumprir as regras vai ser mais difícil e que a autonomia é um problema nestas idades», diz.

A educadora exemplifica com situações vivenciadas em aulas à distância, que já estavam adquiridas antes do encerramento das escolas. «Trabalhamos muito a autonomia e já todos sabiam encontrar o seu próprio material.

Contudo, nas aulas à distância pediam aos pais para irem buscar um lápis, por exemplo, e não conseguiam antever do que iam precisar para uma determinada tarefa, apesar de serem capazes de o fazer», recorda.

A prioridade, a partir de hoje, passará pela «interação, o sentido e identidade de grupo», num ambiente o mais normal possível para que as crianças se sintam «tranquilas e felizes».

Crianças mais ansiosas

Para Macrina Fernandes, este período de ensino à distância foi mais duro, quando comparado com o do ano letivo passado. «No outro confinamento havia o fator novidade e os pais tiveram tempo de qualidade com os filhos. Desta vez não. Não houve tempo para nada disso.

Muitas crianças já foram para os avós, os pais tiveram de trabalhar mais e as crianças estavam com menos tolerância», explica. Contudo, sentiu que, desta vez, «as crianças adaptaram-se muito bem ao online». «Já não havia tanta timidez, mas ao mesmo tempo tiveram mais dificuldade em estar e em concentrar-se.

Queriam estar menos tempo em aula e foi mais difícil cativá-las. Sentiram ainda mais a falta da presença física da educadora», aponta.

Para conseguir ultrapassar algumas dessas dificuldades, a educadora teve de abrir mais a sua «intimidade». «Ao contrário do ano passado, tive de adotar estratégias como a dança, ou fantasiar-me. Confesso que não me sentia muito à vontade por saber que os pais estavam presentes, mas tive de ser mais natural para conseguir chegar às crianças», conclui.

Macrina Fernandes, educadora do pré-escolar, fez um levantamento das atividades que os seus alunos, de cinco anos, mais tinham saudades de fazer.

© DR

João Trigo, diretor do Colégio Efanor, em Matosinhos, também acredita que as questões emocionais são as que devem ser priorizadas. «O aspeto emocional é algo que, neste momento, é tão importante quanto as aprendizagens. Estamos empenhados em rentabilizar as atividades de socialização para que as crianças se sintam bem e felizes.

Os professores e educadores estão sensíveis em começar a trabalhar com as crianças nos afetos e na socialização», afirma. Segundo conta, «os professores estão ansiosos por retomar a atividade presencial» e estão a preparar os espaços «com muito entusiasmo».

E, se for possível, este ano, os mais pequenos poderão voltar a contar com a quinzena de praia, à semelhança de anos anteriores.

Testagem arranca na terça-feira

As escolas públicas e privadas já enviaram a listagem de docentes e não docentes para a DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares), mas a operacionalização da testagem ainda não é clara.

«Enviámos os dados e sabemos que vai ser a Cruz Vermelha que vai fazer os testes, mas ainda estamos à espera de pormenores», explica João Trigo. Certo é que a utilização de máscaras para o 1.º ciclo será uma realidade, ainda que de uso facultativo. Contudo, a nova medida levanta ainda algumas dúvidas.

«Não podemos tornar obrigatório o que as autoridades não tornaram. Ainda há dúvidas em relação à oxigenação. Está demonstrado que o uso de máscara também apresenta ameaças e riscos nestas idades, mas a decisão cabe aos pais e eu respeito muito as duas opiniões.

A daqueles que não querem o uso da máscara no 1.º ciclo e a dos que preferem a sua utilização», explica João Trigo.

Filinto Lima, Presidente Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, vê com bons olhos o reforço de orçamento para a compra de máscaras no 1.º ciclo e relembra que «muitos alunos já usavam antes da paragem do presencial».

Já no que se refere à testagem, o responsável acredita que «irá demorar algum tempo», assim como a vacinação dos professores. Filinto Lima quer rapidez no processo. «Estamos meio satisfeitos e queremos ver o plano concretizado. O que nós estamos a pedir é que estas duas boas novidades sejam realizadas no mais curto espaço de tempo possível.

Como se costuma dizer: é para ontem. Vai permitir mais confiança no regresso à escola e aumento da confiança no desconfinamento», conclui.

A dúvida no processo de testagem levou alguns privados a, por iniciativa própria, arrancar já com testes. É o caso do Colégio Júlio Dinis, no Porto. O pessoal docente e não docente começou a testagem na passada sexta-feira.

«As aulas arrancam na segunda e a testagem tem início na terça, ainda em moldes por definir por parte da Cruz Vermelha. Não podemos começar na segunda sem ter testado o pessoal docente e não docente que regressa ao serviço, por isso, contratei uma clínica por minha iniciativa.

Nesta fase inicial, onde o fator segurança é tão importante, é essencial transmitir essa mensagem à comunidade educativa», explica o diretor do estabelecimento, Marco Carvalho.

Arlindo Ferreira, diretor do Agrupamento de Escolas Cego do Maio, na Póvoa de Varzim, recebeu orientações para «atualizar o plano de contingência» e, no que se refere à testagem, está a aguardar instruções. Contudo, o processo não é desconhecido, pois o agrupamento tem escolas de acolhimento que desde fevereiro, estão com alunos em regime presencial e onde a testagem continuou a ser feita.

«Estamos a aguardar, mas tudo está pronto para receber os alunos em segurança. Reforcei o aconselhamento para o uso de máscara no 1.º ciclo. Já tínhamos procedido à compra, mas só as vamos receber na interrupção da Páscoa», conta. Quanto ao processo de vacinação, «ainda não há novidades».

O DN sabe que alguns agrupamentos já foram contactados por parte dos centros de saúde para disponibilizarem a lista de professores e pessoal não docente.

Ao que o DN apurou, as próximas remessas de vacina recebidas pelos centros de saúde já contemplam doses para os profissionais da educação.

A vacinação decorrerá aos fins de semana, nos centros de saúde da área dos agrupamentos escolares.

dnot@dn.pt

Источник: https://www.dn.pt/sociedade/entre-a-festa-e-a-ansiedade-650-mil-criancas-estao-de-volta-a-escola-13457028.html

Saiba como preparar a volta dos filhos à escola em 2021

As crianças voltam à escola!
(crédito: Augusto Fernandes/Esp. CB/D. A. Press)

A volta às aulas de 2021 marcará, para algumas famílias, a volta também às escolas.

Em meio às incertezas geradas pela pandemia de covid-19, surgem questionamentos a respeito da modalidade das aulas, dos preços das mensalidades e do uso de materiais, que se somam à preocupação com as questões de segurança e prevenção contra o novo coronavírus.

As instituições particulares oferecem aos pais a escolha pelo ensino presencial, remoto ou híbrido, enquanto a rede pública, com retorno do ano letivo marcado para 8 de março, ainda avaliará o cenário na pandemia antes de uma definição.

Em 2020, cerca de 30% dos alunos atenderam às atividades presenciais e os demais optaram pelo ensino remoto. A expectativa para este ano, segundo Alexandre Veloso, presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa-DF), é de que esse percentual se inverta.

“Os colégios passaram o ano de 2020 se preparando e fizeram o dever de casa. Hoje, é possível falar que a escola é um dos lugares mais seguros”, observa. “Estamos vendo que há planejamento adequado e que os protocolos estão sendo seguidos.

Os alunos serão acompanhados de perto para saber se estão com sintomas ou não”, completa.

Thais Severo, servidora pública, é mãe de dois meninos. Desde que as escolas reabriram, as crianças têm ido às aulas presenciais. “Eles voltaram no fim do ano passado e deu tudo certo.

Os colégios estão tomando todas as medidas”, afirma a moradora do Lago Norte, cujos filhos estudam em instituições particulares da Asa Norte.

Ela relata que o filho mais velho, Heitor, 9, soube se adaptar ao ensino remoto quando as escolas foram fechadas, mas que o pequeno, de 4 anos, não se interessava pelas aulas, o que a motivou a optar pela modalidade presencial.

“Eu e o pai deles trabalhamos fora, então, em casa, o mais novo ficava muito solto, sem atividades. Já fiz a opção nas escolas, mas até o fim do mês, se houver piora no quadro da pandemia, voltamos para o on-line”, ressalta Thais.

Não foram só as crianças que incluíram o meio digital na vida escolar. A servidora comprou os materiais de Heitor pela internet, apenas complementando-os em papelarias. “O colégio aproveitou muita coisa.

Materiais de artes e robótica, por exemplo, não precisei comprar”, conta.

Outros pais preferem manter as crianças estudando em casa, com aulas remotas.

Vanessa Bernardes, 43 anos, tem dois filhos matriculados em uma escola particular de Vicente Pires, região onde mora, e prefere, por ora, essa modalidade.

“Enquanto não houver vacina, eles não voltam para a escola”, afirma a professora, que contraiu a covid-19 e ainda precisa fazer fisioterapia para lidar com as sequelas.

Mesmo com as perdas de aprendizagem observadas nas crianças, Vanessa crê que o momento ainda não é adequado para o retorno presencial. “A mais nova, de 11 anos, teve uma queda muito grande.

Ela era considerada a melhor da turma e quase reprovou. Ficou muito desmotivada. O mais velho, de 15 anos, que foi para o ensino médio, disse que as aulas eram uma bagunça e os alunos acabavam não aprendendo.

Alguns livros sequer foram usados. Foi um ano perdido”, avalia.

Material escolar

Nas papelarias, o clima é de otimismo com esta época do ano. Erivonaldo Rufino da Silva é gerente em um comércio do Cruzeiro e acredita que o movimento vai começar a aumentar na segunda quinzena de janeiro.

“Os pais costumam deixar para a última hora. Até achamos que poderiam antecipar, por conta do isolamento social e para evitar aglomerações, mas ainda não tem muita gente vindo. Porém a expectativa é otimista”, destaca.

O gerente afirma que tem percebido os impactos da crise econômica gerada pela emergência sanitária do novo coronavírus, não só pela procura por materiais mais baratos. “Atendemos alguns pais que mudaram os filhos para escola pública por conta da crise”, observa o gerente.

“Aqui, vamos aderir ao Cartão Material Escolar, então, esperamos que o uso dele seja maior este ano”, afirma, referindo-se ao programa do GDF que está com o período de inscrição das lojas aberto até 27 de janeiro, mas ainda sem datas para as famílias receberem o benefício.

“Os pais vão conseguir aproveitar muitos materiais duráveis, como mochilas e uniformes, mas canetinhas e giz de cera, por exemplo, que são consumíveis, foram usados durante o período em casa, até para as crianças terem como passar o tempo”, acrescenta Eriovaldo.

José Aparecido, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Escritório, Papelaria e Livraria do DF (Sindipel), reforça que as papelarias já estão providenciando a habilitação para a venda do Cartão Material Escolar, que deve ser liberado no início de março.

A expectativa do setor, segundo ele, é de manutenção ou pequeno crescimento nas vendas. “Durante o ano, se as aulas não voltarem presenciais, de fato, terá mais impacto”, avalia.

Segundo ele, as empresas do Plano Piloto foram as que mais sentiram o baque da crise econômica causada pela pandemia.

Regras

Marcelo Nascimento, diretor-geral do Instituto de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (Procon DF), destaca a importância de os pais prestarem atenção nas listas de materiais escolares.

“Eles não precisam comprar, de uma vez, todos os itens da lista, sem saber como será o ano escolar com a pandemia.

O material pode ser entregue de forma parcelada, no decorrer do ano, até oito dias antes de cada atividade em sala de aula”, explica Nascimento, citando a Lei Distrital nº 4.311, de 2009.

A legislação do DF determina que as escolas entreguem, junto à lista de material, o planejamento pedagógico e o plano de execução do curso, com o cronograma das atividades. O órgão publicou uma cartilha com orientações aos pais no retorno das aulas, disponível no link https://bit.ly/3niedae. É o plano que executa como a entrega parcelada poderá ser feita ao longo do ano.

“O Procon recomenda que os pais procurem a escola e questionem pedidos repetidos de materiais que não foram utilizados no ano passado e que podem ser reaproveitados agora.

É esperado que a lista venha menor em 2021, mais barata, depois de termos um ano praticamente sem aulas, com escolas fechadas”, acrescenta o diretor.

O instituto ressalta que a escola precisa assumir os itens de higiene e não pode cobrá-los à parte, nem por meio de taxas extras, já que as mensalidades subiram por conta, também, do preparo com a desinfecção por conta da covid-19.

Rede pública

A Secretaria de Educação aprovou os calendários escolares para o ano letivo de 2021 em 31 de dezembro do ano passado, após consulta pública à comunidade escolar. Com início em 8 de março e término em 22 de dezembro, os alunos terão aulas remotas aos sábados. Ao todo, serão 200 dias letivos.

No caso dos CILs, serão 11 sábados letivos remotos, não presenciais, dos quais oito poderão ser flexibilizados. Os demais foram chamados de Sábados Letivos Temáticos Remotos, quando a comunidade escolar deverá se reunir para discutir práticas pedagógicas e avaliativas desenvolvidas nas unidades.

Cada escola terá autonomia para escolher como fará as reposições de aulas aos sábados.

Alexandre Veloso, da Aspa-DF, espera que o governo consiga fechar em breve uma posição a respeito do retorno nas escolas públicas, mantendo a possibilidade de ensino remoto, mas também com a opção de retorno presencial e com medidas de distanciamento garantidas. “Claro que temos consciência de que, se a pandemia voltar a piorar, as escolas podem ser fechadas novamente. Porém, nossa aposta é que o DF inclua os professores na primeira leva da vacinação”, torce.

Источник: https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2021/01/4898575-saiba-como-preparar-a-volta-dos-filhos-a-escola-em-2021.html

Volta às aulas pós-pandemia para a educação infantil

As crianças voltam à escola!

O cenário que ninguém poderia imaginar aconteceu e, por causa da pandemia do Coronavírus, todas as escolas foram obrigadas a fechar suas portas físicas. As crianças estão dentro de casa, as aulas são feitas a distância e a rotina está completamente alterada. Mas, embora seja longo, esse isolamento social vai acabar e, em algum momento, os alunos voltarão paras as escolas.

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Mas, será que tudo voltará ao normal?

A resposta é não. A pandemia já alterou a lógica de como funcionamos como sociedade e a escola precisa se preparar para atuar nesse novo mundo. Nesse sentido, o desenvolvimento das competências socioemocionais  será primordial. Elas ganharam uma grande relevância no período de crise e continuarão necessárias nesse processo de volta à rotina.

Professores e alunos terão que desenvolver resiliência e capacidade de inovação, para se adaptar ao novo cenário. Também terão que trabalhar a autogestão, uma vez que a educação e o trabalho remoto devem permanecer em algum nível, além de aperfeiçoar competências ligadas à empatia, que é um dos maiores aprendizados deixados pela pandemia.

A nova escola no cenário pós-coronavírus terá que ser mais humana.

Terá que aperfeiçoar sua relação com as famílias e acolher seus alunos, cuidando do seu desenvolvimento integral: corpo, mente e emoções.

Sua instituição de ensino está pronta para isso? A pandemia evidenciou a importância de se trabalhar necessidades de desenvolvimento humano  já enumeradas pela nossa Base Nacional Comum Curricular – BNCC.

O que são competências emocionais?

Trata-se de um conjunto de competências relacionadas às próprias emoções e à capacidade de se relacionar com o outro. Elas estão presentes no dia a dia de qualquer pessoa e são essenciais para que o indivíduo tenha uma vida saudável, se sentindo bem consigo mesmo e com o outro.

Na definição do Instituto Ayrton Senna elas são “capacidades individuais que se manifestam nos modos de pensar, sentir e nos comportamentos ou atitudes para se relacionar consigo mesmo e com os outros, estabelecer objetivos, tomar decisões e enfrentar situações adversas ou novas”.

Saiba mais sobre as competências socioemocionais aqui: https://educacaoinfantil.aix.com.br/competencias-socioemocionais-na-bncc/

Alguns exemplos são: empatia, amabilidade, resiliência, foco, responsabilidade, autogestão e imaginação criativa.

As competências socioemocionais também estão previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ela aparece de forma clara na competência 8 para a educação: “Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas”.

A volta dos alunos e a nova escola

Boa parte dessas competências socioemocionais já precisaram ser desenvolvidas durante o período de isolamento. Como houve uma mudança abrupta de rotina, muitas famílias não estavam preparadas e tiveram que lidar com ansiedade, medo, frustração e stress. Foram colocadas à prova e tiveram que aprender a lidar com as emoções no olho do furacão.

Muitos podem imaginar que tudo estará resolvido com a reabertura das escolas, mas a verdade é que essa será mais uma mudança na vida das crianças. Depois de meses em casa, elas terão que voltar à rotina de acordar cedo, ficar boa parte do dia distante dos pais e a se relacionar fisicamente com professores e colegas em um cenário que ainda exigirá cuidados de prevenção ao vírus.

É muita coisa para a cabeça das crianças? Sim e não. Sim porque elas ainda são muito pequenas para entender tudo.

Não porque elas têm uma grande vantagem: a criança está em fase de desenvolvimento e por isso tem mais facilidade em adaptar-se.

Outra coisa que colabora muito é a plasticidade cerebral que possibilita a formação de novas estruturas organizacionais em respostas as experiências que experimentamos.

O papel da escola é acolher essa criança que vive esse momento histórico na sociedade. Não dá para fingir que tudo voltou ao normal e seguir com o planejamento do currículo escolar. Da mesma forma, não dá para perder a oportunidade de ensinar as crianças a lidarem com a realidade, por meio do desenvolvimento de competências socioemocionais.

Sim, estamos falando de uma escola mais humana, tanto na sua relação com os alunos, quanto com as famílias e professores, pois todos estamos enfrentando as consequências dessas transformações. Talvez, quando o isolamento acabar, ainda não poderemos nos abraçar, mas a escola precisará oferecer esse abraço de outra forma.

As competências essenciais no pós-crise

Além das competências socioemocionais descritas na BNCC a serem desenvolvidas com as crianças, existem muitas outras, assim como diferentes nomes para cada tipo de habilidade. Uma boa referência é o guia de orientações norteadoras produzido pelo o Projeto Professor Diretor de Turma. 

Ele mostra como trabalhar as competências socioemocionais nesse período de pandemia e de isolamento social. Veja abaixo algumas competências essenciais destacadas no documento e como trabalhá-las na sala de aula:

Autogestão

Essa capacidade está relacionada a habilidades como foco, responsabilidade, precisão, organização e perseverança.

Desenvolvê-la ajudará os alunos a cumprirem bem seus compromissos em um mundo em que a educação e o trabalho remoto serão tendência.

É importante que a criança aprenda a se regular e a se desenvolver de forma autônoma, o professor atuará de forma a mediar o processo de aprendizagem em que o aluno será o protagonista.

Algumas atividades simples podem ajudar no desenvolvimento de autogestão. O professor pode, por exemplo, promover discussões sobre resolução de problemas para que os alunos exponham suas propostas de soluções. Propor tarefas a serem realizadas em casa e sem auxílio da família também é um bom exercício.

Empatia

A pandemia ensinou muito sobre como o comportamento individual pode ter reflexos no coletivo. Também evidenciou desigualdades, que levaram ao exercício da solidariedade. Mas, após a pandemia esses aprendizados devem permanecer. Os alunos precisam desenvolver as capacidades de ter empatia, de respeitar a diversidade, de agir coletivamente e com cooperação. 

Essas habilidades são descritas, inclusive, nas competências 9 e 10 da BNCC. O documento dá algumas pistas de como desenvolvê-las na sala de aula. Veja:

Competência 9: “Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos”.

Competência 10: “Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários”.  

Propor tarefas e brincadeiras que exijam cooperação, assim como montar grupos diversos para trabalharem juntos podem ser boas ideias para a prática.

Abertura para o novo

Se o mundo pós-Coronavírus será outro, então as escolas terão que preparar seus alunos para que eles estejam abertos ao novo. Essa competência envolve habilidades como curiosidade para aprender e imaginação criativa. Mais do que nunca os professores terão que usar de recursos digitais e inovadores para estimular o pensamento fora da caixa e a capacidade de inovar.

Para isso é importante dar autonomia e liberdade para as crianças criarem. Propor momentos de uso de materiais como tinta, sucata, recortes de imagens e revistas é uma forma simples e eficiente de se estimular a criatividade. Além disso o professor pode convidar os alunos a criarem suas próprias histórias, peças teatrais e outros tipos de experimentações.

Sua escola está preparada?

Ninguém estava preparado para a pandemia que estamos vivendo, mas o aprendizado dos últimos meses não pode ser em vão. As escolas precisam pensar no período pós-pandemia, se organizando para acolher as crianças. Isso inclui a preparação de estrutura. É importante que as instituições estejam inseridas na era digital para que consigam sobreviver a esses novos tempos.

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Источник: https://educacaoinfantil.aix.com.br/volta-as-aulas-pos-pandemia/

Volta às aulas presenciais: como acolher as crianças sem abraçar? | EX

As crianças voltam à escola!

Desde que teve início no Brasil, os cuidados indispensáveis para se proteger contra a pandemia foram amplamente divulgados e, após sete meses de convivência com o vírus no país, já estão incorporados no cotidiano da maioria das pessoas.

Afinal, é mundialmente conhecido que o distanciamento social, evitar aglomerações, utilizar máscaras e higienizar as mãos são as principais formas de prevenção da doença, que já soma milhões de infectados em todo o mundo, com mais de 1 milhão de mortos. 

Entretanto, a necessidade de não ter contato físico é, ainda, um obstáculo no retorno das aulas presenciais, principalmente na educação infantil.

Afinal, como acolher as crianças sem abraçar? Já reparou que quando uma criança se machuca, é para os braços de um cuidador, que ela admira e confia, que ela corre? Quando alegre, é também esse adulto que ela procura, muitas vezes corporalmente, com a intenção de compartilhar sua felicidade. 

Surge, então, um novo desafio aos educadores: promover o acolhimento dos alunos e alunas sem tocar. Os abraços precisam ser substituídos por olhares, gestos e palavras. Mas como colocar tudo isso em prática?

Para a pedagoga e psicopedagoga Kamilla Stati, o primeiro passo é trabalhar a comunicação com as crianças para conseguir estabelecer limites e regras sobre o que é permitido neste novo cenário. Depois, buscar alternativas para demonstrar aos pequenos o quanto eles são importantes.

“Os professores podem demonstrar através de músicas, olhares, gestos e rodas de conversa, lembrando sempre as crianças que tudo isso é uma necessidade, que o amor e o carinho são uma das bases essenciais  para formação do ser humano e desenvolvimento das crianças e jovens”, recomenda.

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Acolhimento socioemocional será fundamental na volta às aulas

Comunicação e empatia

Kamilla acredita que, desde antes da pandemia, o tom da voz utilizado na comunicação é de extrema importância na formação contínua das crianças. Porém, o momento pede uma atenção ainda maior.

“A volta às aulas terá que ter uma doçura a mais na voz dos professores.

Os alunos e nós tivemos um ano difícil, portanto falar com empatia será um dos pontos mais importantes dentro de sala de aula”, pondera.

De acordo com a professora de educação infantil Taisy Rosa Delgado, o retorno das aulas presenciais devem ser amplamente planejando, incluindo a demanda que as crianças menores exigem, inclusive a necessidade de afeto.

“Acolher as crianças sem esse contato, ainda mais na educação infantil que tudo gira no afeto, no abraço, no beijo, é algo complicado.

Como fazer o momento da troca de fralda? Como consolar uma criança após uma queda? E os momentos da roda de conversa e história? Todos estamos sensíveis. Precisamos nos sentir acolhidos para acolher”, destaca.

Nesse sentido, Taisy acredita que é necessário os professores e professoras terem apoio e acolhida em relação aos seus próprios sentimentos. “Como professores, necessitamos trabalhar nossas emoções e acolher as emoções das crianças, seus sentimentos, seus medos e suas angústias”, afirma. Taisy também vê na comunicação verbal uma das saídas para perceber as necessidades dos alunos. 

A pedagoga Débora de Almeida Mello lembra ainda que as crianças são movidas pelas emoções e que, após tanto tempo longe da escola e dos amigos, sentirão vontade de abraçar os colegas e professores.

“Os professores precisarão ter muito jogo de cintura para demonstrar o afeto e saudade sem ter o contato físico, principalmente em mostrar para as crianças que isso é necessário para a volta com segurança”, ressalta. E, para a profissional, isso deve ser feito com muita conversa e carinho.

“Precisamos explicar o momento que estamos vivendo com palavras de carinho, com atenção ao que eles querem falar, com paciência e muito amor, que aliás, já temos de sobra”, acrescenta.

Débora também enfatiza que será importante incentivar as crianças a verbalizarem suas ideias e sentimentos. “Mais do que nunca, precisaremos nos comunicar mais com as crianças e estimular que elas também se comuniquem, pois sem o contato físico, a oralidade se torna muito mais importante”, orienta.

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Volta às aulas presenciais: a importância de olhar para o professor

A criança não se aguentou e compartilhou seu lanche. E agora?

Apesar de ser uma cena que não deveria acontecer, as crianças pequenas podem ter dificuldade em cumprir os protocolos de segurança. Como a escola deve agir quando notar que alguns alunos compartilharam os lanches ou até mesmo os copos, por exemplo?

Para a pedagoga e psicopedagoga Kamilla Stati, será necessário manter um diálogo diariamente para que essas situações não ocorram. “Trabalhar formas que possibilitem as crianças entenderem a necessidade de manter a distância um do outro e não compartilhar objetivos será de extrema importância, tanto dentro da escola como com a conscientização dos pais em casa”, sugere.

Segundo a professora de educação infantil Taisy Rosa Delgado, é necessário que a família também seja parceira da escola para instruir e orientar os filhos e/ou filhas sobre os cuidados que precisam ser seguidos na instituição de ensino. Agora, caso seja preciso um educador intermediar alguma situação, é preciso ser firme e gentil. “A intervenção frente alguma atitude incorreta quanto à prevenção deve ser feita de maneira tranquila, afetuosa e com clareza”, explica.

Já para a pedagoga Débora De Almeida Mello, essa é uma situação que pode ocorrer mais de uma vez, exigindo muita paciência e carinho dos professores.

“Intervir de forma calma e com muito diálogo será a melhor opção. Aos poucos eles vão acostumando e aprendendo. Nas escolas e creches, tudo funciona na base da rotina.

Será um desafio, mas os profissionais da educação são excelentes em aceitar e superar os desafios”, finaliza.

Confira também:
O que dizem os médicos sobre a volta às aulas presenciais?

Источник: https://escolasexponenciais.com.br/desafios-contemporaneos/volta-as-aulas-presenciais-como-acolher-as-criancas-sem-abracar/

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