Parto, uma gravidez tardia!

Há cada vez menos riscos na maternidade tardia

Parto, uma gravidez tardia!

Estar grávida é, para a maioria das mulheres, viver um verdadeiro estado de graça, muitas vezes dificilmente explicável por palavras. E se há algumas décadas a gravidez era algo que acontecia, em regra, por volta dos 20 anos de idade, hoje as coisas são bem diferentes.

Com as transformações sociais e culturais que têm levado cada vez mais mulheres a atrasar o momento em que decidem ser mães – porque preferem apostar primeiro na carreira profissional ou porque tardam em encontrar a pessoa certa com quem partilhar o momento –, a verdade é que a primeira gravidez chega cada vez mais tarde.

A mudança de mentalidades que se tem verificado contribui igualmente para a situação, a que se junta a evolução técnica e científica hoje disponível.

Com efeito, atualmente não só é possível recorrer a técnicas de procriação medicamente assistida (PMA), que ajudam a contornar o problema da fertilidade diminuída, como também a vigilância destas gravidezes é muito mais apertada. Como consequência, a idade da mulher que é mãe pela primeira vez tem vindo a aumentar.

Se no ano 2000, por exemplo, a idade média da mulher aquando do nascimento do primeiro filho em Portugal se situava nos 26,5 anos, em 2017 esta idade já tinha subido para 30,3 anos (dados PORDATA) e a tendência é para aumentar.

Isto mesmo é confirmado por Jorge Lima, coordenador de Obstetrícia e da Unidade de Alto Risco Obstétrico do Hospital CUF Descobertas, em Lisboa, segundo o qual, “as mulheres têm filhos cada vez mais tarde, algumas aos 48 ou 49 anos e até depois e corre tudo bem”. Diz que o hospital onde trabalha “é um exemplo paradigmático disto mesmo” e a média de idades das mulheres é aqui “mais elevada do que nos hospitais públicos”.

Idade não é contraindicação

Mas será que os riscos que antigamente se apontavam a uma gravidez tardia deixaram de existir? Nas palavras do especialista, esta “continua a ser uma gravidez com mais morbilidade, com mais complicações maternas e fetais, mas isso não é nenhuma contraindicação, o que exige é uma vigilância especial”.

Ou seja, desde que haja um acompanhamento adequado, a probabilidade de que tudo correrá bem é muito elevada.

Em relação ao tipo de riscos de que estamos a falar, o ginecologista/obstetra destaca a redução de fertilidade nas mulheres mais velhas: “Uma mulher com mais idade tem logo o primeiro risco que é ter mais dificuldade em engravidar, pelo que tem de recorrer mais frequentemente a técnicas de PMA.

” Por outro lado, estas mulheres tendem a “ter mais patologia do que as mais novas, nomeadamente hipertensão e diabetes gestacional”. Além disso, “a probabilidade de abortar é maior, porque os óvulos têm a idade da mulher e os embriões que daí resultam podem ter mais cromossomopatias”, isto é, problemas relacionados com alterações dos cromossomas.

Reserva ovárica diminui

De acordo com o clínico, “as mulheres que engravidam com mais de 45 anos quase todas recorrem a técnicas de PMA com doação de óvulos, pois é muito mais difícil engravidarem com os seus próprios óvulos depois dos 40”.

Até porque a reserva ovárica vai diminuindo com a idade, ou seja, à medida que o tempo avança, a quantidade de folículos (as estruturas que contêm os óvulos) que a mulher ainda tem nos ovários vai ficando reduzida.

No caso de se usarem óvulos doados por mulheres mais novas, “o risco de cromossomopatias é menor, porque o cálculo do risco é feito de acordo com a idade do óvulo”, explica. Desta forma, diminui também bastante o risco de aborto associado.

Em alternativa aos óvulos doados, Jorge Lima refere que tem vindo a aumentar o número de mulheres que recorrem à criopreservação dos seus próprios óvulos, quando percebem que a decisão de engravidar está a ser adiada. “Idealmente tal deve ser feito antes dos 35 anos, devido à redução da fertilidade, a qual acelera abruptamente a partir desta idade”, afirma.

Cuidados antes e durante a gravidez

Quanto aos cuidados que devem ser mantidos numa gravidez tardia, o médico desdramatiza: “São os mesmos cuidados que no caso das mulheres mais novas”, ou seja, convém planear a gravidez e fazer os exames de rotina no âmbito de uma consulta pré-concecional.

Ainda assim, Jorge Lima admite que “por se tratar de mulheres com mais idade, estas têm mais patologia”. O que na prática significa que muitas chegam à gravidez já com uma doença e medicação crónicas, situação que deve ser tida em conta.

“Quando se têm comorbilidades tomam-se medicações e as indicações têm de ser reajustadas, por exemplo, se tiverem patologia autoimune esta tem de estar estabilizada”.

Em concreto, o obstetra frisa a importância da consulta pré-concecional, “na qual deve ser rastreada a patologia oncológica, nomeadamente o cancro do colo do útero e da mama, antes de avançar para uma gravidez”.

Quanto à vigilância durante a gestação, sublinha a necessidade de se realizar o diagnóstico pré-natal, que consiste num conjunto de exames e análises com o objetivo de determinar se um embrião ou feto é portador, ou não, de uma anomalia congénita. “Tem de se fazer este diagnóstico pré-natal de forma muito cuidadosa, porque a idade aumenta o risco de cromossomopatias”, reforça.

A idade no parto

Já quanto ao momento do parto, reconhece que o recurso à cesariana é muito frequente nesta faixa etária, “por todo o contexto da gravidez”. Não só porque “é comum que o útero destas mulheres tenha patologia, nomeadamente, miomas”, mas porque há necessidade de reduzir ao máximo o risco associado.

Por outro lado, nas mulheres mais velhas poderá verificar-se uma diminuição da elasticidade dos tecidos, o que dificulta a dilatação necessária ao parto vaginal, pelo que aumenta a probabilidade de cesariana.

Ainda assim, salienta que “corre tudo bem”, até porque os profissionais de saúde lidam cada vez mais com a situação: “No hospital onde trabalho, em dez anos passámos de 4% de partos de mulheres com mais de 40 anos para 13/14%, o que é imenso.”

Gravidez sem mitos

Com toda a mudança que temos vindo a observar neste campo, o médico considera mesmo que “já não existem mitos nenhuns” sobre a gravidez tardia. “Não há limites, pois as pessoas sabem que há meios para terem uma boa vigilância e um bom desfecho”. Ou seja, a técnica e a ciência uniram-se para ajudar à concretização do sonho de uma maternidade feliz, independentemente da idade.

Cinco conselhos para uma gravidez tardia

  • Fazer uma consulta de avaliação pré-concecional
  • Rastrear patologias
  • Avaliar doenças crónicas (hipertensão, diabetes, entre outras) e estabilizá-las com o apoio dos vários especialistas antes de começar a tentar engravidar
  • Fazer todas as vigilâncias solicitadas
  • Seguir as recomendações do obstetra

Источник: https://www.advancecare.pt/para-si/blog/artigos/ha-cada-vez-menos-riscos-na-maternidade-tardia

Larissa Cassiano – Gestar após os 35 anos: médicos devem focar na mulher e não só na idade

Parto, uma gravidez tardia!

Há 100 anos, ter filhos entre 20 e 30 anos era comum para muitas mulheres, mas com o passar do tempo as mulheres ampliaram seu acesso à universidade, mercado de trabalho, mudança de parceiro, procedimentos de reprodução assistida e planeamento familiar com uso de contraceptivos.

Com essas mudanças, a idade média em que a mulher engravida aumentou, mas e quais questões estão envolvidas nesta gestação? É um problema engravidar após os 35 anos?

A gestação de mulheres com mais de 35 anos não é mais uma exceção, e tem se tornado cada dia mais frequente. Para o Ministério da Saúde, mulheres com mais de 35 anos são consideradas gestantes de alto risco, pois são mais vulneráveis a algumas doenças como hipertensão gestacional e diabetes gestacional, por exemplo.

Para a gestante com mais de 35 anos receber o rótulo de gestante idosa, gestação tardia, gravidez com idade avançada e gestante de risco só acentua a sensação dela de que algo pode dar errado, o medo de perder o bebê, ou evoluir com alguma doença.

Através da minha experiência posso dizer que esses rótulos são ineficazes, pois uma gestante com mais de 35 anos, dependendo do seu estado de saúde, pode ter uma gestação mais tranquila do que algumas mulheres mais novas, por isso empatia é justamente o que essas gestantes precisam neste momento.

E quais podem ser as dificuldades reais de uma gestação após os 35 anos?

Considera-se que alguns riscos podem ocorrer porque com o passar dos anos estamos mais propensos a algumas doenças. Como a hipertensão na gestação, que é a doença mais frequente, provavelmente pela alteração vascular que acontece ao longo dos anos.

Depois temos a diabetes gestacional, que pode ocorrer por diversos motivos, entre eles a possibilidade de acúmulo de peso, porém o sobrepeso ou obesidade não é um problema exclusivo para quem tem mais de 35 anos.

Quando uma dessas doenças ocorre, a gestante fica mais exposta a um parto prematuro se elas não forem bem controladas, sendo assim, a prematuridade é um dos outros riscos.

Alterações genéticas também são citadas em alguns artigos em especial a Síndrome de Down e outras alterações genéticas que podem levar ao aborto, o envelhecimento dos óvulos pode aumentar o risco de má formação genética que consequentemente elevam os riscos de abortamento precoce e de repetição.

E como reduzir esses riscos?

A pressão arterial deve ser avaliada em todas as consultas de pré-natal e, se possível antes de engravidar, deve estar controlada, para mulheres com outros fatores de ricos ou história de hipertensão antes da gestação é possível realizar medicações que reduzam esse risco e com bons resultados.

Já para evitar a diabetes gestacional é muito importante que a gestante possua hábitos saudáveis, prática de exercícios físicos e faça o diagnóstico o mais precoce possível, com isso ela conseguirá ter uma gestação tranquila.

Para quem se preocupa com abortos, a realização de fertilização assistida com diagnóstico pré implantação dos embriões, conhecido como PGD, é uma forma de pesquisar os embriões antes da implantação no útero.

Gestar após os 35 anos é só gestar, independe da idade em que isso ocorrer, talvez a mudança de título possa permitir que as mulheres vivenciem a gravidez com muito mais tranquilidade e que os profissionais olhem para elas como um todo, mais atentos, de maneira ampla, focada na mulher e não apenas na idade dela.

Lembrando que os riscos, mesmo que maiores para algumas gestantes, não significam a certeza de um parto com problemas ou um bebê doente, porque em muitas situações ele pode ser controlado.

Além disso, a espera para engravidar pode muitas vezes ser protetora para a mulher e seu bebê, pois ela espera e se prepara para a gravidez de maneira que seu risco se assemelha ou pode até ficar muito menor se comparado a mulheres com idades menores. O importante é que no final mãe e filho possam ir para casa bem.

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Referências:

– Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico. 5. ed. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2012.

– SENESI, Lenira Gaede et al. Morbidade e mortalidade neonatais relacionadas à idade materna igual ou superior a 35 anos, segundo a paridade. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. [online]. 2004, vol.26, n.6, pp.477-482. ISSN 1806-9339. https://doi.org/10.1590/S0100-72032004000600009.

– Aldrighi JD, Wall ML, Souza SRRK. Vivência de mulheres na gestação em idade tardia. Rev. Gaúcha Enferm. 2018;39:e2017-0112. doi: https://doi.org/10.1590/1983- 1447.2018.2017-0112.

– Alves NCC, Feitosa KMA, Mendes MES, Caminha MFC. Complicações na gestação em mulheres com idade maior ou igual a 35 anos. Rev. Gaúcha Enferm. 2017;38(4):e2017-0042. doi: http://dx.doi.org/10.1590/1983- 1447.2017.04.2017-0042.

– Blanco Pérez I, Miñoso Pérez S, Barroso Gazquez C, Socarras Gámez A, Cué Perdomo E. Estado del programa de diagnóstico prenatal citogenético. Rev. Ciencias Médicas 2015; 19(2): 214-222.

Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/larissa-cassiano/2020/09/08/gravidez-apos-35-anos.htm

Gravidez depois dos 40 anos: é mesmo perigoso?

Parto, uma gravidez tardia!

São várias as razões que levam as mulheres a adiar a maternidade. A estabilidade emocional de uma relação, um emprego fixo, melhores condições salariais — tudo isto são fatores que, para várias mulheres, constituem uma base sólida para avançar para o nascimento de um filho.

Enquanto se espera por atingir todos esses objetivos, o relógio não pára. Os anos passam e, se há cerca de 20 anos era normal uma mulher de 25 anos já ser mãe (em 1990, a idade média de uma mulher aquando do nascimento do primeiro filho era de 24,7 anos), o mesmo não acontece agora — em 2016, a média de idades era de 30,3 anos (dados da Pordata).

Mas existe quem espere mais tempo. Independentemente das razões, sejam elas motivos profissionais, emocionais, das dificuldades em engravidar até ao instinto maternal que só chega mais tarde na vida, a verdade é que as gravidezes depois dos 40 anos tornaram-se mais comuns.

Entre 2012 e 2017, o número de mulheres que se tornaram mães depois dos 40 aumentou 22 por cento em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. Em 2015 esse número alcançou um pico, tendo sido registado o nascimento de 4728 crianças de mulheres com 40 ou mais anos.

Os riscos de uma gravidez tardia para a mulher

É comum ouvirmos que é perigoso ser mãe “tarde”, principalmente quando se trata de uma primeira gravidez. Mas quais são exatamente os perigos de uma gestação aos 40 ou mais anos para uma mulher?

“Se estivermos a falar de uma mulher saudável, os perigos de uma gravidez aos 40 são exatamente os mesmos que aos 20 anos. Isto quando falamos das mulheres e não do feto, claro está”, afirma à MAGG Olga Santos, médica ginecologista e obstetra.

A idade pode aumentar a probabilidade de doenças como as tromboembólicas (varizes, embolias, coágulos, etc), hipertensão, que pode causar uma pré-eclâmpsia, diabetes, que também pode causar uma diabetes gestacional, entre outras.”

A especialista explica que os problemas relacionados com a idade não são consequência desta por si só, mas sim das doenças que uma idade mais tardia pode alavancar.

“A idade pode aumentar a probabilidade de doenças como as tromboembólicas (varizes, embolias, coágulos, etc), hipertensão, que pode causar uma pré-eclâmpsia, diabetes, que também pode causar uma diabetes gestacional, entre outras”, salienta a obstetra, que garante que as mulheres fumadoras podem ver o seu quadro agravado.

Olga Santos acrescenta que todas as grávidas, tenham fatores de risco assinalados ou não, devem seguir as mesmas recomendações.

“Não fumar, evitar estar em espaços com muito fumo, seguir a suplementação vitamínica recomendada pelo médico, bem como ter cuidados a nível da alimentação e manter uma dieta equilibrada.

Caso sejam mulheres com fatores de risco (fumadoras ou com doenças diagnosticadas), esses mesmos fatores devem ser vigiados, devem ter consultas menos espaçadas, seguir rigorosamente a medicação e os conselhos do médico assistente.”

Idade da mãe aumenta a probabilidade de cromossomopatias no feto

Apesar de a idade da mãe não ser um fator de risco numa mulher saudável, o mesmo não se pode dizer dos perigos que uma faixa etária mais elevada pode causar no feto.

“Os perigos da idade da mulher são existentes principalmente para o bebé, sendo que após os 40 anos existe uma maior probabilidade dos fetos desenvolverem cromossomopatias”, refere Olga Santos.

As cromossomopatias são alterações do número de cromossomas fetais, habitualmente relacionadas com problemas na formação do óvulo.

Recomendo sempre a amniocentese às minhas pacientes com mais de 40 anos, mesmo com um rastreio pré-natal de baixo risco.»

A Síndrome de Down (trissomia do cromossoma 21), por exemplo, é uma das cromossomopatias mais comuns de suceder quando a mulher ultrapassa os 35 anos— existe um caso em cada 300 nascimentos, afetando grávidas entre os 35 e os 38 anos e, acima dos 40 anos, a probabilidade sobe para 1 em cada 50 casos.

É também devido a estes dados que a amniocentese (um procedimento de diagnóstico pré-natal no qual se colhe uma pequena amostra de líquido da bolsa amniótica que envolve o feto, sob controlo ecográfico, para que possa ser realizado um estudo dos cromossomas para despiste de doenças genéticas específicas) é recomendada por muitos médicos em casos de mães com 35 anos ou mais.

“Recomendo sempre a amniocentese às minhas pacientes com mais de 40 anos, mesmo com um rastreio pré-natal de baixo risco, até porque o rastreio é um teste de probabilidades, avalia o risco, mas não oferece um diagnóstico”, explica Olga Santos, que acrescenta que este é um exame que pode ser realizado gratuitamente em qualquer hospital do Serviço Nacional de Saúde (para mães a partir dos 35 anos).

Há mães que dispensam a amniocentese

Paula Gentil Santos tem 44 anos, é mãe de um rapaz com três anos, e engravidou aos 41 anos sem qualquer ajuda de tratamentos de fertilidade.

“Casei-me com 38 anos e engravidei nessa altura, mas essa gestação não correu bem e não chegou ao fim”, conta Paula, que criou a Associação Mãe Limão, uma associação de empreendorismo materno, após o nascimento do filho.

Apesar de já ter tido uma consulta de fertilidade, a logística dos tratamentos e injeções assustava-a e demorou a decidir-se.

“Acabei por fazer uma viagem com o meu marido, deixámos os problemas de lado, descontraí e a verdade é que voltei dessas férias grávida.

Acho que causei tanta ansiedade ao meu corpo, sempre a pensar no porquê de não engravidar e em quando iria acontecer, que me sabotei.

O pensamento tanto nos motiva, como nos trava e, quando relaxei, aconteceu naturalmente”, recorda Paula à MAGG.

Com 41 anos, a hipótese da amniocentese foi colocada em cima da mesa pelos médicos, “mais a título informativo”, afirma. “Mas nunca foi uma hipótese para mim. Já tinha tido uma gravidez que não tinha corrido bem e decidi que, independentemente de tudo, não iria interromper esta.”

Com ecografias que não apontavam para qualquer má formação no bebé, “achei que apenas pela minha idade não fazia sentido, não vi validade em avançar com o exame”. Paula acabou por levar uma gravidez tranquila, sem qualquer recomendação especial.

“A única coisa que acho que seria menos dolorosa se fosse mais nova eram as noites sem dormir depois do meu filho nascer. Talvez aos 20 anos recuperasse mais facilmente do défice de sono”, brinca Paula Gentil Santos.

O parto pode ser um momento complicado para mulheres mais velhas

Paula Cruz tem 48 anos, trabalha como responsável de comunicação e foi mãe pela primeira vez há oito anos. Depois de uma gravidez de alto risco, consequência de um leve deslocamento de placenta no segundo trimestre, Paula entrou em trabalho de parto às 40 semanas.

“No dia em que completava as 40 semanas de gestação, a minha médica rompeu-me as águas contra a minha vontade. Vim a descobrir depois que, o que inicialmente me foi transmitido como um acidente, fruto de um exame, na verdade foi propositado”, conta Paula.

Quando falamos de mulheres com 40 anos ou mais, não estou de acordo que se force um parto vaginal.»

Após 12 horas de trabalho de parto, com muita dificuldade em fazer dilatação, Paula levou três doses de epidurais e a filha estava prestes a entrar em sofrimento.

“A minha filha acabou por nascer de parto vaginal, com recurso a ventosas e com uma médica a fazer força na minha barriga”, recorda Paula Cruz.

Já o filho de Paula Gentil Santos nasceu com recurso a uma cesariana, não sem antes Paula ter passado longas horas em trabalho de parto. “Estive 21 horas a tentar dilatar para chegar ao parto vaginal, mas tal não foi possível”, afirma.

Olga Santos, médica obstetra, tem uma forte opinião sobre os partos vaginais, que considera que são levados à força em alguns hospitais.

“Existe uma tendência enorme atualmente para promover os partos naturais, sendo que um parto natural (sem medicação ou intervenção médica) não é um parto vaginal, é importante perceber que são coisas diferentes. E quando falamos de mulheres com 40 anos ou mais, não estou de acordo que se force um parto vaginal”, partilha a especialista.

Devido a incompatibilidades feto-pélvicas (conjunto de situações em que existe uma desproporção entre o tamanho do feto e as dimensões do canal de parto) e em dificuldades em dilatar (dado que nas mulheres mais velhas poderá existir uma diminuição da elasticidade dos tecidos e, consequentemente, da capacidade de dilatação), Olga Santos conclui que “existe uma maior probabilidade dos partos de mulheres mais velhas terminarem em cesarianas” e discorda que, para chegar a essa decisão, seja necessário as mulheres passarem por horas de sofrimento evitáveis, enquanto se tenta forçar um parto vaginal.

Источник: https://magg.sapo.pt/saude/artigos/gravidez-depois-dos-40-anos-e-mesmo-perigoso

Embarazo saludable
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