Vírus do papiloma humano (HPV) na gravidez

HPV na gravidez: os riscos que o vírus oferece e as opções de tratamento

Vírus do papiloma humano (HPV) na gravidez

O Ministério da Saúde adverte: o papilomavírus humano, o HPV, é responsável por 70% dos casos de câncer de colo de útero e a terceira principal causa de morte entre as mulheres no Brasil. “Uma em cada quatro pacientes vai ter infecção pelo HPV em algum momento da vida”, calcula o oncoginecologista Ricardo Chazan Breitbarg, do Hospital Samaritano, em São Paulo.

Esse agente infeccioso faz parte de uma família de mais de 100 tipos de vírus diferentes.

“Desses, 40 atuam na área ginecológica e estão divididos, por sua vez, em HPV de alto e de baixo risco”, explica Breitbarg.

Os de alto risco são aqueles que propiciam o aparecimento de lesões que podem virar um câncer; já as variantes de baixo risco favorecem os chamados condilomas, que são uma espécie de verruga.

No entanto, é raro que o HPV se manifeste – seja na forma de lesões sérias, seja como verrugas benignas. “Na maioria das vezes, o próprio organismo reage combatendo o vírus”, conta Rômulo Negrini, professor de ginecologia e obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Mas na gravidez a história é um pouco diferente.

Se a mulher já tiver o papilomavírus no seu corpo, a probabilidade de ele dar as caras nesse período é maior. “As alterações hormonais e a menor resistência imunológica da gestante predispõem ao desenvolvimento da doença”, esclarece Negrini.

O mais comum é que as lesões surjam no primeiro ou no segundo trimestre da gestação, quando a imunidade está comprometida.

O HPV coloca a gravidez em risco?

Estimativas globais apontam que entre 5,5 e 65% das grávidas estejam infectadas pelo HPV. E o Brasil está dentro dessa média. “Um estudo brasileiro mostrou que 33,4% das mulheres gestantes têm o vírus”, informa Ricardo Breitbarg.

A boa notícia é que o papilomavírus não ameaça a evolução da gravidez e nem a saúde do bebê.

“Ele não tem capacidade de penetrar o líquido amniótico e não é transmitido pelo sangue”, avisa a ginecologista Alessandra Bedin, do Hospital Israelita Albert Einstein, também na capital paulista.

O problema maior está na hora do nascimento do bebê. Se não tratadas ao longo da gravidez, as lesões podem aumentar tanto em quantidade como em tamanho. Além do risco de obstruir o canal por onde o pequeno vai passar, elas podem acabar contaminando a criança.

Nestes casos, o parto vaginal não é recomendado. “Pela Organização Mundial da Saúde, a cesárea só é indicada quando há lesões muito grandes.

Mas se a paciente tiver várias lesões pequenas com as quais o bebê vai ter contato, a gente discute fazer esse tipo de parto”, pondera Alessandra.

Quanto à amamentação, não se preocupe: o HPV não passa pelo leite materno.

O bebê infectado

A contaminação do recém-nascido pelo HPV não costuma ser uma ameaça à vida do pequeno. Isso porque, assim como os adultos, eles eliminam o vírus rapidamente do organismo. Mas, em alguns casos, o papilomavírus pode aparecer – e aí, a manifestação mais temida é a Papilomatose Respiratória Recorrente (PRR), um tumor benigno epitelial que atinge principalmente a laringe.

 “As verrugas podem surgir nas cordas vocais do bebê e na mucosa da boca e do nariz. Além disso, há mais risco de problemas respiratórios”, diz o oncoginecologista do Hospital Samaritano.

Ao menos esse problema é raro: segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a incidência da papilomatose de laringe é de 2 a 43 casos em 1 milhão de crianças.

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O tratamento

Os condilomas e as lesões causadas pelo HPV podem, sim, ser tratados durante a gravidez. “O tratamento depende de vários fatores, como o tipo, a localização e o tamanho das lesões”, informa Breitbarg. No caso das verrugas, por exemplo, o laser é uma das melhores opções.

Se elas estiverem na parte externa da região genital, pode ser aplicado um ácido. Já as lesões mais graves podem ser retiradas por cirurgia. Esses procedimentos estão liberados em qualquer fase da gestação.

Mas, de acordo com a Febrasgo, o ideal é que sejam realizados até a 34a semana, para garantir uma boa cicatrização antes do parto.

Segundo Alessandra Bedin, do Hospital Albert Einstein, as técnicas contraindicadas na gravidez são a eletrocauterização, que estimula a contração uterina; os imunomoduladores, que não contam com estudos que comprovem sua eficácia na gestação; e a podofilina, que pode ser tóxica.

No pós-parto, como a imunidade da mulher volta a se fortalecer, é comum que as lesões desapareçam. Mesmo assim, é preciso continuar o acompanhamento com o ginecologista até ter a certeza de que não há mais infecção pelo HPV. Se as manifestações persistirem, aí a paciente pode recorrer a qualquer uma das formas de terapia.

Tratar antes de engravidar pode ser perigoso?

Mulheres que desenvolveram lesões graves antes de ficarem grávidas e precisaram se submeter a uma cirurgia podem ter uma gestação mais complicada. “Nesses casos, uma parte do colo uterino é retirado no procedimento cirúrgico.

Dependendo de como isso é feito, essa região pode ficar mais frágil e não conseguir segurar o bebê até o final”, explica Alessandra Bedin.

A solução para evitar esse quadro é recorrer à cerclagem, procedimento no qual se dá um ponto no colo do útero para que ele consiga sustentar a gravidez.

A prevenção

A maneira mais eficaz de se proteger contra o HPV é tomando a vacina – e, embora o Ministério da Saúde recomende o imunizante para mulheres de até 26 anos, aquelas que já passaram dessa idade também podem receber as doses. No entanto, o imunizante não é indicado para grávidas. “É que a gente não sabe se ele causa algum mal à gestante”, justifica Rômulo Negrini, professor da Santa Casa de São Paulo.

Portanto, o encontro com a seringa deve ocorrer antes ou depois da gravidez.

Hoje, há dois modelos de vacina: a bivalente, que protege contra os tipos mais comuns de HPV de alto risco (o 16 e o 18) e a quadrivalente, que inclui as variantes 6 e 11, de baixo risco.

Na rede pública, a versão completa, contra as quatro as formas mais frequentes do vírus, está disponível gratuitamente apenas para meninas de 9 a 13 anos. Pacientes acima dessa faixa etária devem recorrer a clínicas privadas.

Outra medida preventiva contra o HPV é fazer, regularmente, o Papanicolau – mesmo se você não estiver grávida.

“Esse exame mostra se há uma sugestão de infecção ou até uma lesão mais séria”, alerta Ricardo Breitbarg, do Samaritano.

Aliás, esse procedimento é a melhor forma de avaliar com antecedência possíveis complicações do papilomavírus em pacientes que já foram infectadas por ele. “Nesses casos, a vacina não vai ter vantagem”, lamenta Breitbarg. 

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Источник: https://bebe.abril.com.br/gravidez/hpv-na-gravidez-os-riscos-que-o-virus-oferece-e-as-opcoes-de-tratamento/

O vírus do papiloma humano e a gravidez

Vírus do papiloma humano (HPV) na gravidez

Calcula-se que existem cerca de 200 tipos de HPV, dos quais aproximadamente 40 são sexualmente transmissíveis, afetando os genitais. A grande maioria das pessoas contaminadas elimina o vírus do papiloma humano sem sofrer consequências em longo prazo.

No entanto, a relação entre o vírus do papiloma humanoe a gravidez costuma ser motivo de preocupação. Aprenda mais sobre os aspectos relacionados a essa condição, os possíveis riscos e sua prevenção a seguir.

O que é o vírus do papiloma humano?

É uma doença viral de transmissão sexual muito comum em pessoas sexualmente ativas. Pode ser percebida por meio de verrugas e, em alguns casos, câncer. É um vírus transmitido por meio de relações sexuais orais, vaginais ou anais com uma pessoa infectada.

Em geral, essa patologia não apresenta sinais que indiquem sua presença no organismo da pessoa infectada. No entanto, com o passar do tempo, podem aparecer os seguintes sintomas:

  • Presença de verrugas nas regiões genitais. Ânus, reto, vulva ou virilha, embora também possa se espalhar para outras partes do corpo. As verrugas podem ser achatadas, pequenas ou grandes.
  • Nas mulheres, podem ocorrer alterações nos tecidos do colo do útero, que podem tanto desaparecer quanto trazer consequências como o desenvolvimento de um câncer.

O vírus do papiloma humano e a gravidez: existe algum risco?

A presença do vírus do papiloma humano na gravidez pode aumentar o tamanho ou o número de verrugas já existentes. Isso se deve às alterações hormonais que podem diminuir as defesas do corpo ou devido ao aumento das secreções vaginais.

É improvável que possa afetar o normal desenvolvimento da gravidez. No entanto, sem dúvidas, sempre haverá um pequeno risco de infectar o bebê.

É imprescindível informar o obstetra se você tem ou já teve verrugas causadas pelo HPV. Dessa forma, você terá a possibilidade de realizar o acompanhamento no progresso da doença a fim de impedir seu desenvolvimento. Além disso, você pode levar em consideração as seguintes sugestões:

  • Realizar um exame para diagnosticar possíveis lesões.
  • Optar pelo parto vaginal, caso não haja grande quantidade de verrugas que possam obstruir o canal do parto. Se este for seu caso, você terá que optar pela cesárea.
  • No caso da presença do vírus do papiloma humano na gravidez, você vai precisar apenas controlar o andamento da doença, pois as verrugas podem desaparecer após o parto.
  • Seu médico pode decidir remover as verrugas com técnicas pouco invasivas que não vão afetar a gravidez. Ou também pode avaliar o progresso por meio de uma colposcopia.
  • Evite utilizar cremes ou produtos usados para a remoção de verrugas.

O que pode acontecer se o bebê for infectado?

Embora seja pouco provável, se um bebê for infectado com o vírus do papiloma humano, seu organismo vai eliminar o vírus de forma natural.

Existem alguns casos muito extremos, nos quais o bebê pode apresentar carnosidades na garganta. Essa condição é conhecida como papilomatose respiratória. Para isso, é indispensável o tratamento com laser, que serve para a eliminação das verrugas e a limpeza das vias respiratórias.

“O vírus do papiloma humano é uma doença viral de transmissão sexual muito comum em pessoas sexualmente ativas”

Prevenção do vírus do papiloma humano

Prevenir é a melhor maneira de cuidar da saúde. Para evitar o contágio dessa patologia, você pode seguir as seguintes recomendações:

  • Manter relações sexuais com apenas um parceiro, desde que este faça o mesmo.
  • Usar camisinhas de látex. Isso reduz consideravelmente o risco de contaminação com doenças sexualmente transmissíveis.
  • Tomar vacina com o consentimento do médico após o parto. Existem dois tipos de vacina contra os HPVs de alto risco mais frequentes, os tipos 16 e 18.

Para concluir, a presença do vírus do papiloma humanona gravidez não envolve nenhum risco para as partes envolvidas. No entanto, há mais chances de contrair o vírus durante a gravidez, sendo que um bom sistema imunológico vai ajudar a eliminar a infecção. Em todo caso, o ideal é manter um bom controle e prevenir eficazmente a doença.

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Источник: https://soumamae.com.br/o-virus-do-papiloma-humano-e-gravidez/

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